FETAPE - FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAIS AGRICULTORES E AGRICULTORAS FAMILIARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO

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Mulheres rurais saem da invisibilidade para participar da vida política

14/05/2019



Aos 30 anos, agricultora Joselma Silva decidiu que era seu momento de estar na vida pública e assumiu função no sindicato de São Caetano, no Agreste de Pernambuco

Mais de 80 trabalhadoras rurais e líderes sindicais de todas as regiões de Pernambuco participam nesta semana, de 13 a 17, do 2º módulo do 1º Curso Estadual da Enfoc em Pernambuco de Formação Política de Mulheres. Lute como Margarida!, no Centro Social Euclides Nascimento, em Carpina. O curso promovido pela Escola Nacional de Formação da Contag é coordenado pelas diretorias de Organização e Formação e de Política para Mulheres da Fetape.


O processo formativo culminará na 6ª Marcha das Margaridas, que será realizada nos dias 13 e 14 de agosto, em Brasília (DF), tem o objetivo de proporcionar formação política para lideranças e dirigentes mulheres que atuem no Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (MSTTR), organizações sociais, comunidades rurais, grupos comunitários, associações e outros espaços públicos.


A agricultora e suplente da secretaria de Informação do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Caetano, Maria Joselma da Silva, de 36 anos, participou do 1ºmódulo, e está ansiosa para mais uma etapa do curso. Ela mora no sítio Mingú, na zona rural de São Caetano, no agreste pernambucano. Mãe de dois filhos e casada a 22 anos, ela decidiu aos 30 anos que era o momento de trabalhar fora de casa. Sair do ambiente doméstico e da invisibilidade para ocupar o espaço público não foi uma decisão fácil.


As mulheres acabam enfrentando uma sociedade machista que cobra um papel de mãe e dona de casa. Joselma precisou dialogar com o marido para iniciar a vida sindical rural. Desde então não parou mais de buscar conhecimento e de se fortalecer politicamente. “Fui escolhida numa assembleia do sindicato para ser conselheira fiscal. Tive que ligar pra ele [marido]. Às vezes, a gente abaixa a cabeça, mas eu abri meus olhos contra o machismo. Os cursos são muito importantes para isso. Hoje, levo para dentro de casa e para a comunidade o que aprendo”, contou Joselma.


O processo formativo contará com palestras, místicas, oficinas de animação criativa, exposições dialogadas, trabalhos em grupo. Entre os temas, as mulheres e o Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PADRSS) e os eixos políticos da 6ª Marcha das Margaridas que serão trazidos pela educadora popular Socorro Silva.


Para a diretora de Organização e Formação, Jenusi Marques, esse processo de construção e mobilização para a Marcha das Margaridas é fundamental para o fortalecimento das mulheres, e para a multiplicação da ação nas comunidades. “A Enfoc é esse lugar seguro onde partilhamos angústias e aprendemos a superar as dificuldades a partir da experiência de outras mulheres. Não tenho dúvidas que no segundo módulo teremos a dimensão da força da Marcha nos municípios”, avalia Jenusi.
Em um dos momentos do curso também terá um resgate da organização, luta e conquistas das mulheres a nível nacional e sua relação com a Marcha das Margaridas. A exposição dialogada será conduzida pela assessora da Secretaria de Mulheres da Contag, Vilênia Venâncio.


A atual conjuntura política, os cortes orçamentários para o campo, a negação de direitos e a desconstrução de políticas sociais por parte do governo federal, que não reconhece a importância das mulheres para o país, também integram o processo de formação.


A diretora de Política para Mulheres, Adriana do Nascimento, afirma que essa Marcha das Margaridas será uma sexta edição, que assume um novo caráter diante da atual conjuntura política. “Quando trazemos para a roda toda essa determinação estamos dizendo que não vamos permitir que o governo ou qualquer órgão retire nosso direito de ser mulher e ser da vida. É isso que estamos fazendo aqui hoje, construindo estratégias para levar para nossas bases. Somos nós parte das responsáveis nessa sociedade de poder fazer, e de dizer que as mulheres precisam ocupar cada vez mais o lugar que nos é negado”.


As mulheres também participação de uma noite cultural onde haverá exibição prévia do documentário Terra de Nazaré, que conta a história da liderança feminista Nazaré Flor, referência na luta pela terra no estado do Ceará.

 

 




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