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Sistema Confederativo debate sustentabilidade e estabelece compromissos com a militância sindical

Entre os dias 3 e 5 de março, Gravatá, no Agreste pernambucano, sediou o Encontro Estadual de Sustentabilidade Político-Financeira, realizado no Hotel Casa Grande. Com o objetivo de articular estratégias, mobilizar lideranças e fortalecer a organização sindical no campo, a atividade reuniu sindicatos da Agricultura Familiar, dirigentes e assessorias do Sistema Confederativo — STTRs, Federações e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag). 

Para a Contag, é fundamental que as diretorias da entidade estejam presentes nos territórios, dialogando diretamente com os trabalhadores e trabalhadoras, sempre em articulação com as federações e com os próprios sindicatos, realizando um trabalho de escuta, diálogo e reconstrução do vínculo com a categoria.

“Precisamos enfrentar nossos desafios de sustentabilidade com ações que ampliem a compreensão do papel da agricultura familiar no desenvolvimento sustentável, defender os direitos conquistados no meio rural e fortalecer a classe trabalhadora”, afirmou a presidenta da Fetape, Cícera Nunes.

Para o diretor de Finanças da Fetape, Paulo Roberto Rodrigues, o encontro foi um momento estratégico para restabelecer compromissos e projetar o futuro do sindicalismo rural. “É uma oportunidade para a militância debater os desafios e reafirmar a importância do Sistema Confederativo.”

Participaram o vice-presidente e secretário de Relações Internacionais, Marcos Vinícius Dias Nunes, e a secretária de Jovens Trabalhadores(as) Rurais, Dalilla dos Santos Gonçalves, o deputado estadual Doriel Barros, a chefia de gabinete do deputado federal Carlos Veras, Claudia Rejane Souza. A ação contou com financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e reuniu cerca de cem participantes de todos os dez polos sindicais da federação.

Boas práticas mostram caminhos para sustentabilidade

Durante o encontro, alguns sindicatos apresentaram experiências consideradas exitosas no caminho da sustentabilidade político-financeira. As iniciativas demonstraram diferentes estratégias adotadas pelas entidades para manter e fortalecer sua atuação, combinando práticas já consolidadas — como o trabalho das delegacias sindicais e a atuação de delegados e delegadas nas comunidades — com novas formas de mobilização e arrecadação. As experiências ganharam ainda mais relevância diante do cenário enfrentado pelos sindicatos após a suspensão do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, que exigiu das entidades a busca por novos caminhos de organização e sustentação.

O Sindicato de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (STR) de Dormentes apresentou sua estratégia de mobilização permanente junto à base. A entidade intensificou o diálogo com os associados, mantendo reuniões, agendas nas comunidades e forte comunicação. Durante eventos como a Caprishow, o sindicato também ampliou a orientação sobre o novo modelo de contribuição sindical por meio da aplicação do carnê, o que resultou em um aumento significativo das adesões. “Foi ação o tempo todo”, destacou a presidenta Rosalina Nunes.

Em Bom Conselho, o sindicato apresentou a experiência de fortalecimento institucional por meio do acesso a políticas públicas. A entidade apostou no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) como estratégia para aproximar ainda mais o sindicato da base e gerar novas oportunidades para a agricultura familiar.

Com apoio técnico do IPAM e da Conab, foram organizados dois projetos envolvendo 25 agricultoras, com prioridade para grupos de mulheres. Um deles já está em execução. O município também estruturou duas cooperativas — uma municipal e outra regional — ampliando a atuação para programas como o PNAE.

“Se o sindicato ficar apenas atrás do balcão, não amplia sua força. É preciso qualificação, parceria e iniciativa. A representatividade se constrói com ação concreta”, afirmou a presidenta do STR de Bom Conselho, Amanda Nascimento.

Em Caetés, a estratégia foi integrar cultura, juventude e organização política. Grupos de música, teatro, culinária e agricultura iniciaram processos de formação que evoluíram para um amplo movimento juvenil nas comunidades. Para garantir maior equilíbrio de gênero, os jovens foram incentivados a ampliar a participação feminina nos coletivos.

Ao longo do tempo, o grupo passou a acessar editais e captar recursos para desenvolver atividades com a juventude. Hoje, os próprios jovens lideram oficinas sobre elaboração de projetos, leitura de editais e prestação de contas, multiplicando esse conhecimento nas comunidades. “A formação aborda permanência no campo, identidade cultural e valorização da juventude como sujeito político”, relatou a diretora de Finanças e Administração do STR de Caetés, Uedislaine Santana.

No STR de Catende, que está iniciando suas atividades, o foco está na organização interna e no reconhecimento das lideranças. Segundo o diretor Ferreira Lima, fortalecer o sindicato começa por eleições bem organizadas, divisão de responsabilidades e formação política contínua. “Não queremos que o STR de Catende funcione apenas como espaço de atendimento. Ele precisa articular projetos, acessar editais e ocupar espaços”, defendeu, destacando a importância de compartilhar conhecimento e ampliar a participação coletiva.

Já em Ouricuri, o trabalho das delegacias sindicais tem sido fundamental para manter a entidade viva e próxima das comunidades. Das 33 delegacias existentes no município, 30 estão em pleno funcionamento. Os delegados e delegadas atuam diretamente nas localidades, orientando os associados, mobilizando a base e fortalecendo a contribuição voluntária que sustenta a estrutura sindical. “A base organizada é o que mantém o sindicato forte. Sem contribuição, não há estrutura; sem estrutura, não há luta”, destacou a diretora de Mulheres do STR de Ouricuri, Valdilene Cabral.

Encontro fortalece articulação e planejamento do MSTTR

O Encontro Estadual reafirmou que sustentabilidade político-financeira não se resume à arrecadação, mas envolve mobilização, formação, articulação institucional e presença ativa nas comunidades. As experiências apresentadas demonstram que, com organização e iniciativa, é possível reinventar práticas e fortalecer o sindicalismo rural em Pernambuco.

Segundo a diretora de Organização e Formação Sindical da Fetape, Jenusi Marques, o encontro estadual reforçou a importância do Sistema Confederativo e contribuiu para a construção de um plano de ações coletivas envolvendo as três instâncias do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR). “O espaço também possibilitou a troca de informações e experiências entre as diferentes regiões do estado, permitindo apontamentos e encaminhamentos para o curto, médio e longo prazo. Avalio esse momento como muito fortalecedor, pois promove integração, diálogo e pactuação de compromissos coletivos para o futuro da nossa organização sindical”, afirmou a diretora.

Para o vice-presidente da Contag, Marcos Vinícius, cada encontro traz realidades e experiências diferentes. “Isso é muito importante, porque nos permite compreender como cada sindicato está se organizando para se reestruturar. Mesmo diante das dificuldades, estamos vendo os sindicatos buscando caminhos, se reorganizando e fortalecendo novamente sua atuação. Não tenho dúvida da importância desse trabalho de base que está sendo feito pelas federações e pelos sindicatos”, afirmou a liderança sindical.

Março de Luta marca mística em referência ao 8 de março

Durante o encontro, também foi realizada uma mística em referência ao 8 de março, Dia Internacional das Mulheres. Para as mulheres do movimento sindical rural, o período é conhecido como Março de Luta, um mês dedicado à mobilização, reflexão e denúncia das desigualdades enfrentadas pelas mulheres. Ao longo desse período, são promovidas marchas, debates, formações políticas e diversas ações voltadas ao enfrentamento das violências e à defesa dos direitos das mulheres do campo.
“Durante muito tempo, achávamos que debater a luta das mulheres era algo restrito ao mês de março. Mas aprendemos que a formação política precisa ser permanente. Mesmo assim, o Março de Lutas continua sendo simbólico. É um período em que fortalecemos essa voz, ampliamos o debate e reafirmamos compromissos. Este ano, trazemos como eixo: vidas livres de violência, com justiça climática e democracia”, destacou a diretora de Mulheres da Fetape, Adriana do Nascimento.

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