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Projeto Fortalecer II promove encontros regionais na Mata e no Agreste para fortalecer a agricultura familiar

A Fetape realizou, nos dias 1º e 2 de julho, os Encontros Regionais do Projeto Fortalecer II nas regiões Agreste e Mata. Ao todo, as atividades reuniram 149 participantes — 72 no Agreste e 77 na Mata — entre parlamentares do Movimento sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR), diretores/as da Fetape, dirigentes sindicais, representantes de sindicatos, associações e organizações parceiras, agricultoras e agricultores familiares, além de assessorias técnicas. O encontro do Agreste aconteceu no dia 1º de julho, no Centro de Formação Luiz Inácio Lula da Silva, da Fetape, em Garanhuns. Já o encontro da Mata foi realizado no dia 2 de julho, no Centro Social da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetape), em Ribeirão.

Agreste: comercialização é caminho para fortalecer a autonomia da agricultura familiar

No Agreste, o encontro contou com a participação dos deputados Doriel Barros (estadual - PT) e Carlos Veras (federal PT). As discussões destacaram a necessidade de ampliar o acesso aos mercados e gerar autonomia econômica para as famílias agricultoras. 

Na abertura, a presidenta da Fetape, Cícera Nunes, reforçou que as conquistas da agricultura familiar são resultado da organização e da luta coletiva do movimento sindical. Ela destacou que políticas públicas como a reforma agrária, a Previdência Social, o Pronaf, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são frutos da mobilização permanente dos sindicatos e das organizações da agricultura familiar.

“A Fetape está presente nos projetos e as políticas públicas estão chegando, e cada uma dessas conquistas é o resultado da nossa luta sindical. Esses direitos não chegaram de graça. Eles existem porque houve luta”, afirmou.

A diretora de Organização Sindical e Formação da Fetape, Jenusi Marques, ressaltou que fortalecer a agricultura familiar passa pela construção de parcerias com universidades, Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e organizações da sociedade civil. Segundo ela, não basta produzir alimentos de qualidade. É preciso criar condições para ampliar a comercialização, agregar valor à produção e abrir novos canais de venda, garantindo renda e autonomia às agricultoras e aos agricultores familiares.

A roda de conversa reuniu as profissionais de assistência técnica Adriana Rodrigues e Larissa Torres, do Mais Gestão Nordeste, que apresentaram experiências voltadas ao fortalecimento da comercialização da agricultura familiar. Elas explicaram que o trabalho desenvolvido surgiu a partir das discussões realizadas nos territórios, reafirmando a importância da organização das agricultoras e agricultores em associações, cooperativas, sindicatos e espaços de controle social para construção das políticas públicas.

As extensionistas destacaram que, na etapa mais recente do trabalho, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram identificadas organizações que conseguiram acessar editais do PAA, mas não concluíram o processo de comercialização. Em Pernambuco, foram acompanhadas 45 organizações, buscando identificar os principais entraves e oferecer assessoria técnica para destravar as propostas, permitindo que essas associações e cooperativas comercializassem por meio do programa.

Representando a ONG Crescer, Bárbara Lima apresentou a experiência do Projeto Sementes da Gente, viabilizado por emenda parlamentar do deputado Doriel Barros. Ela explicou que a iniciativa nasceu de uma pauta histórica do movimento sindical: fortalecer a produção e a comercialização de sementes produzidas pela própria agricultura familiar.

Segundo Bárbara, a partir da articulação do sindicato e do Banco de Sementes de Capim, foi possível organizar agricultores e agricultoras, acompanhar todas as etapas da produção e comprovar que a agricultura familiar reúne condições técnicas e organizativas para produzir sementes de qualidade e acessar mercados institucionais. O projeto também reforçou o protagonismo das organizações comunitárias e mostrou que fortalecer a gestão coletiva é tão importante quanto investir na produção.

Mata: transição agroecológica fortalece os territórios e amplia as possibilidades da agricultura familiar

O encontro regional da Mata reuniu lideranças sindicais, representantes de associações, agricultoras, agricultores familiares e organizações parceiras para debater os desafios da transição agroecológica no território. Representando o gabinete da senadora Teresa Leitão, participou Josefa Lindalva.

Na abertura, o diretor de Finanças da Fetape, Paulo Roberto Santos, destacou que o Projeto Fortalecer II chega em um momento importante para fortalecer a organização das bases e reafirmar o papel do movimento sindical na construção de políticas públicas para a agricultura familiar.

Segundo ele, os movimentos sindicais e sociais cumprem um papel fundamental na vida do povo brasileiro e são responsáveis por garantir conquistas que melhoram as condições de vida no campo. Também ressaltou que a agricultura familiar é responsável pela produção dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população e que a continuidade dessas conquistas depende da organização e da participação coletiva.

A diretora de Política Meio Ambiente da Fetape, Ivanice Melo, destacou que fortalecer a transição agroecológica passa pela organização da base, pela ampliação da assistência técnica e pela construção de estratégias que fortaleçam, ao mesmo tempo, a produção e a comercialização da agricultura familiar.

Na roda de conversa, Givanilson Silva, assessor da Contag,  apresentou o processo de construção da política dos Quintais Produtivos. Ele explicou que a proposta nasceu das discussões da Marcha das Margaridas e da atuação da Contag para transformar uma reivindicação histórica das mulheres rurais em uma política pública permanente. O objetivo era garantir orçamento, estrutura e continuidade para ações voltadas à agroecologia e à autonomia produtiva das agricultoras. Como resultado dessa mobilização, a política foi incorporada às ações do Governo Federal, com meta inicial de implantação de 92 mil Quintais Produtivos.

Representando o Centro Sabiá, Anierica Almeida refletiu sobre os desafios históricos da Zona da Mata para a consolidação da agroecologia. Ela destacou que o território ainda convive com as consequências do modelo baseado na monocultura da cana-de-açúcar, responsável pela degradação ambiental, pelo desmatamento da Mata Atlântica, pela concentração de terras e pela precarização das relações de trabalho.

A palestrante também alertou que as mudanças climáticas já são percebidas pelas famílias agricultoras por meio da redução da disponibilidade de água, do aumento dos períodos de estiagem e de eventos climáticos extremos. Diante desse cenário, defendeu que fortalecer a agroecologia significa construir alternativas capazes de recuperar os territórios, proteger os recursos naturais e ampliar a capacidade de podução e comercialização da agricultura familiar.

Os encontros também promoveram um importante momento de partilha de experiências entre as organizações participantes, fortalecendo a troca de conhecimentos e a construção coletiva de soluções para os desafios dos territórios. No Agreste, apresentaram suas experiências a Associação do Quilombo de Riacho de Pedra, de Cumaru, e a Cooperativa de Mulheres de Bom Conselho, representada por Rosa Teles. Na Mata, compartilharam suas iniciativas a Associação dos Pequenos Produtores Rurais dos Engenhos Conceição e São José, de Sirinhaém, representada por Rachel Nicolau; a Associação de Mulheres do Engenho Curupaiti, do PA Miguel Arraes, representada por Antônia Maria da Silva e Eliana Josefa da Silva; e o Assentamento Velho Primeiro, representado por Valquíria Lopes. O momento reafirmou o compromisso do Projeto Fortalecer II com o fortalecimento da organização sindical, da produção, da comercialização e da transição agroecológica na agricultura familiar.

A Comunicação da Fetape também promoveu um momento de provocação com o tema Quem semeia comunicação colhe valor, conduzido pela comunicadora popular Shaynna Pidori. A atividade incentivou sindicatos, associações e organizações participantes a refletirem sobre estratégias de comunicação, digitais e presenciais, para fortalecer sua atuação nos territórios, agregar valor aos seus projetos e à comercialização de seus produtos, contribuindo para ampliar a valorização da agricultura familiar.

Imagens: Shaynna Pidori e John Lira

Edição reel: John Lira

Fonte: Shaynna Pidori

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