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Seminário Estadual marca culminância do Projeto Fortalecer II e reafirma compromisso com o fortalecimento da agricultura familiar em Pernambuco

Lideranças sindicais e de associações, integrantes da Diretoria da Fetape, assessoria militante e a equipe do Projeto Fortalecer II participaram, no dia 1º de setembro, no Hotel Casa Grande, em Gravatá, do Seminário Estadual de culminância do projeto. Ao todo, cerca de 300 pessoas participaram da atividade, que marcou o encerramento de um percurso de formação, assessoria técnica, intercâmbio de experiências e fortalecimento das organizações da agricultura familiar em diferentes regiões de Pernambuco.

Durante a abertura, a presidenta da Fetape, Cícera Nunes, destacou que o fortalecimento da organização sindical passa diretamente pela participação e pela consciência da base.

“Quando a base está consciente, fortalecida e organizada, ninguém consegue derrubar o sindicato, porque a própria comunidade não permite. Não podemos imaginar uma sociedade sem agricultores e agricultoras familiares. Ninguém vive sem alimento e ninguém vive sem a natureza. Por isso, fortalecer a agricultura familiar é defender a vida, o meio ambiente e o futuro das nossas comunidades”, afirmou.

O vice-presidente da Fetape, Adelson Freitas, chamou atenção para a necessidade de avançar na organização da produção. Para ele, esse é um dos aspectos que demonstram a importância do Projeto Fortalecer II. O dirigente também manifestou a expectativa de continuidade da iniciativa, com a realização do Fortalecer III.

Um percurso construído nos territórios

O Seminário Estadual encerrou uma etapa do Projeto Fortalecer II, iniciativa voltada à promoção e ao fortalecimento da agricultura familiar em Pernambuco. A atuação foi baseada na assessoria técnica de orientação agroecológica, sustentável e solidária, com atenção especial à participação de mulheres e jovens.

 

Ao longo de sua execução, o projeto combinou diferentes estratégias de apoio às organizações e às famílias participantes. Entre elas, esteve a orientação para ampliar o acesso às políticas públicas de desenvolvimento da agricultura familiar.

O trabalho também incluiu um canal de escuta, apoio e documentação destinado a identificar e contribuir para a superação de entraves burocráticos enfrentados por agricultores e agricultoras familiares, especialmente mulheres e jovens, no acesso a essas políticas.

A formação aconteceu por meio de oficinas regionais, enquanto os intercâmbios possibilitaram a troca de saberes, práticas e experiências entre as organizações participantes, incluindo iniciativas relacionadas às Casas de Sementes Crioulas.

Ao longo de sua execução, o Fortalecer II realizou três oficinas regionais de apresentação e planejamento, 150 visitas técnicas de assessoria, três intercâmbios de experiências, três encontros regionais de culminância e o Seminário Estadual.

Mais do que atividades isoladas, esses espaços fizeram parte de um percurso pensado para fortalecer a agricultura familiar e sua organização nos níveis local, regional e estadual.

Experiências da base mostram resultados do projeto

Um dos momentos centrais do Seminário Estadual foi a apresentação de quatro experiências de organizações participantes do Projeto Fortalecer II, permitindo que a própria base compartilhasse práticas, aprendizados, desafios e resultados construídos nos territórios.

Participaram desse momento a Associação do Sítio Brabo, de Custódia, representada por Josefa; a Cooperativa de Mulheres de Bom Conselho, representada por Rosa; a Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP), representada por Claudevan; e a Associação de Apicultores de Triunfo, representada por Genivaldo.

As experiências apresentadas evidenciaram a diversidade da agricultura familiar pernambucana e mostraram como a organização coletiva, a assessoria técnica e a troca de conhecimentos contribuem para fortalecer a produção e as organizações nos territórios.

A programação seguiu com uma roda de conversa sobre o Plano Safra 2026-2027 e o protagonismo da Agricultura Familiar, ampliando o debate sobre políticas públicas, produção, organização e os desafios enfrentados pelo setor.

Agricultura familiar ocupa espaço com sua produção e sua memória

À noite, a programação ganhou dois espaços de valorização da agricultura familiar: o lançamento da exposição fotográfica “Onde há colheita, há luta” e da Mostra de Produtos da Agricultura Familiar “Colheitas que se encontram”.

A diretora de Política de Meio Ambiente da Fetape, Ivanice Melo, destacou a importância de levar mostras da agricultura familiar para os eventos realizados pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, ampliando a visibilidade da produção das famílias e organizações nos diferentes territórios.

A exposição fotográfica reúne imagens de diferentes períodos históricos e registros de roças das três regiões de Pernambuco. Os painéis foram impressos em tecido para permitir que a exposição seja itinerante. Leve e de fácil transporte, o material pode ser levado e instalado em sindicatos, feiras, encontros e outros espaços nos territórios.

A coordenadora de Comunicação da Fetape, responsável pela curadoria da exposição, Shaynna Pidori explicou que a mostra foi projetada justamente para circular por diferentes lugares, dando visibilidade à beleza da agricultura familiar e valorizando também seu entorno, suas comunidades, seus territórios e as transformações provocadas pela organização e pela luta sindical.

A proposta de circulação já começou a despertar interesse. O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rio Formoso manifestou a intenção de levar a exposição para sua Feira da Agricultura Familiar.

“Precisamos levar essas fotos para nossos territórios e mostrar como a luta do movimento sindical transformou as nossas roças e fortaleceu a nossa produção”, afirmou Sandra Reis, presidenta do STR de Rio Formoso.

Ao reunir formação, assessoria técnica, acesso às políticas públicas, intercâmbio de saberes, organização da produção, memória e experiências concretas dos territórios, o Seminário Estadual encerrou o ciclo do Fortalecer II evidenciando que os resultados do projeto permanecem nas organizações, nas comunidades e nas famílias que participaram desse processo.

Fotos: John Lira, Shaynna Pidori, Vincius Andrade

 

Fonte: Shaynna Pidori

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